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Sepulcro, lugar de transição

“E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” – Mt 28.1

Ao longo dos tempos a morte foi, e sempre será, um instrumento de justiça divina aplicado à criação em decorrência do pecado original de Adão. Para muitos, a morte é o último estágio da vida, o aniquilamento da alma que finda no sepulcro; já para outros é a porta de entrada para eternidade.

Entre a vida terrena e a pós-morte há o sepulcro; lugar que, por natureza, as pessoas ao visitarem sentem saudades causando-lhes tristeza, estes sentimentos são gerados porque ali estão os restos mortais de seus entes queridos, que traduzem relacionamentos irreversivelmente interrompidos. Isso aconteceu com as mulheres que foram visitar o sepulcro de Jesus: “E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” (Mt 28.1 – ARC).

 

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Sepulcro, acima dos conceitos e experiências exéquias, é lugar de transição. Entre o calvário e a ressurreição Jesus passou pelo sepulcro. Os acontecimentos pré e pós-sepulcro deixam claro que ele, para nós crentes, leva a um momento de reflexão é uma ponte de transição entre: a lei e a graça, a prova e a benção, a tristeza e a alegria… É o ápice da prova e o início da benção; Para muitos “chegar ao sepulcro, é achar que não resta mais esperanças”; mas depois do “fim do sábado” (clímax das provações) surgirá o “despontar do primeiro dia” (vitória das provações). Em razão disso devemos, uma vez por outra, “ir ao sepulcro” para ver que está vazio e ter certeza que receberemos a benção porque Jesus já está ressuscitado e tem poder para nos abençoar.

As mulheres passaram por uma experiência triste ao verem Cristo padecer no calvário, sucumbir em um sepulcro rochoso e, com Ele, suas esperanças redentora se esvair. Às vezes não queremos ir ao sepulcro, achamos que a prova vai até o calvário, mas estejamos conscientes de que o pior estágio da prova é o seu final, porque achamos que tudo está acabado. As implicações que se encontram em Mt 28.1 nos ajudarão a conhecer o tríplice relacionamento entre o nosso comportamento diante das provas e o drama da redenção no calvário.

Primeiro, temos uma relação comportamental de Fé. A caminho do sepulcro elas questionavam como ou quem abriria o sepulcro para a preparação do corpo de Jesus, Mas enquanto elas se preocupavam como a pedra seria removida, Deus já tinha enviado um anjo para retirá-la. Enquanto nos perguntamos como o Senhor irá resolver nossos problemas, Ele já está solucionando e trazendo nossa benção.

Existem perguntas que nos instiga quando estamos sendo provados tais como: Quando será o fim da prova, como será que acontecerá o milagre. Isso indica que estamos olhando para os problemas e não para o Senhor que resolve os problemas. O que garante o recebimento das bênçãos é o tamanho da fé que exercemos nas circunstancias adversas que passamos, mas o determinante funcional dessa fé é o foco da nossa visão. Se estivermos olhando somente para os problemas, enxergaremos apenas problemas e nenhuma possibilidade de vitória, pois a fé terá sido ofuscada; porém, se focarmos nossas esperanças no Senhor a fé responderá positivamente para recebermos a benção.

Destarte, a nossa fé determina a vitória e o nosso foco de visão determina o funcionamento da fé. Sobre o funcionamento da fé, Paul Yonggi Cho (1998, p. 17) lista quatro elementos que torna nossa fé volátil e faz com que ela seja funcional e não inerte às questões recebedoras da benção, são eles: 1º)Propósitos, “visão de um objetivo claro”, especificar ao Senhor qual sua necessidade; 2º)Fervor, “possuir um desejo ardente de alcançar esse objetivo”, estar em constante sintonia com Deus (Lc 18.1-8); 3º)Ação, “pôr-se de joelhos” e estar em constante oração (1Ts 5.17); e 4º)Divulgação, “dar mostras da fé” de que estamos sempre amistosos e testemunhando que receberemos a benção.

Na época de Cristo, os cristãos que eram assolados por mazelas recebiam suas bênçãos porque tinham o foco da visão direcionado à Jesus e não a seus problemas. Os obstáculos, para eles, não eram suas enfermidades, mas como se aproximar de Jesus; já que estava sempre acompanhado por multidões (Lc 8.40-56). Veja o caso do leproso: “Então um leproso chegou perto dele, ajoelhou-se e disse: – Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser.” (Mt 8.2-NTLH). Não é preciso correr de um lado para o outro, procurando profetas, jardins de orações,  montes etc. Em Deuteronômio 28.2 a afirmação é incisiva: […]virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos”. Portanto, não nos apressemos! Caso contrário, as bênçãos nunca nos “alcançará”, os sinais nunca nos vão “acompanhar” (Mc 16.17) e o Senhor (talvez?!) nos deixará pelo caminho (Gn 28.15). Por isso olhar para o sepulcro vazio é ter a certeza da fé de que o Cristo não está mais ali, pois já ressuscitou e está vivo para nos livrar de nossas aflições e para dá vitória nas nossas provações.

Depois da cruz, o sepulcro é, também, um instrumento que fez parte da obra expiatória de Cristo. Em segundo lugar, nosso comportamento com o sepulcro deverá ser reflexivo. O sepulcro com o corpo de Jesus é o ápice do calvário, para muitos aparentava está tudo acabado, um dos discípulos no caminho de Emaús chegou a pensar assim (Lc 24.21). Eis a importância de irmos ao sepulcro examinar que Jesus não está mais morto, o sepulcro é apenas um lugar de transição e a demonstração de que recebemos a benção depois de uma prova incalculável de sofrimento que culminou em morte, mas que teve como resultado final a ressurreição.

Quando pensamos na filha de Jairo que estava em um estado terminal dependendo de um milagre urgente para sobreviver, e em uma mulher que também já tinha chegado ao clímax de sua doença: “havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada”, masconseguiu chegar bem próximo a Jesus e tocá-LO; isso fez com que Jesus parasse por um momento, tardando assim a sua chegada até a filha de Jairo o que culminou na sua morte; a notícia veio como um tiro aos ouvidos de seu pai, como quem dizia: “Está tudo acabado!”. E o que dizer da mulher? Que por um momento, quando a multidão estava entre ela e Jesus, se ver aflita sem poder tocá-LO, via escapar a sua última chance de ser curada; ela, também, podia ouvir o sussurro em seus pensamentos: “Está tudo acabado!”. Mas o que presenciamos nesse episódio (Lc 8.40-56) foi a transição da prova para a benção, tal prova culminou no último grau de sofrimento que Jairo e aquela mulher poderiam suportar vendo suas chances de vitória acabarem, mas ao fim receberam um “levanta-te” e um “bom ânimo”, respectivamente.

Além de ser o ápice da prova, o sepulcro vazio é a benção consumada e serve para refletirmos experiências passadas. Quando nos lembramos das bênçãos recebidas ficamos fortalecidos para suportar as provas presentes e perseverarmos para recebermos as bênçãos futuras. O Sepulcro vazio é o troféu do cristianismo assim como o nosso troféu são as bênçãos recebidas no passado. Davi tinha o seu troféu guardado na sua tenda e, acredito que quando ele estava desanimado ao sair para uma batalha, primeiro ele visitava a tenda onde estava o seu troféu; e assim refletia sobre a benção recebida de Deus, sua vitória sobre o gigante, isso massageava seu ego e fortalecia lhe a fé, preparando-o para novas conquistas (1Sm 17.54; 21.9).

Por último, nosso relacionamento com a obra redentora de Cristo é pós-sepulcro e aponta para o monte das oliveiras, a ascensão.  Depois da ressurreição, que representa o recebimento da benção, devemos ter um comportamento de gratidão, mas sempre olhando para o futuro: A morada celestial.

Que nossa vida não esteja baseada em vitórias terrenas, mas na vida eterna com Deus por que esse é o propósito real de sermos cristjão. Portanto, não olhemos somente para o calvário e para o sepulcro, mas tenhamos sempre nossa visão direcionada para o monte da ascensão. O sepulcro é apenas o meio de olharmos para o monte das Oliveiras, este para nós representa a vida eterna, o fim e não o meio de nossa vida cristã: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. (Fp 3.13,14).

 

Sepulcro, lugar de transição

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